Uma escolha fácil

Demócrito, de Johannes Moorelse

O pequeno texto a seguir é a adaptação de um post que fiz numa rede social. Mais especificamente, é a adaptação de uma postagem que escrevi nos stories do Instagram. A que tempos chegamos, meus amigos! Mas achei interessante e resolvi compartilhar aqui, ainda que quase ninguém leia.

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Para quem não entendeu o porquê de eu achar graça de certas pessoas: eu passei os últimos muitos meses da minha vida sendo assediado e ofendido por um grupo incels e redpill debiloides, metidos a "cavaleiros templários", "guerreiros vikings" e "estoicos empresariais". Isso porque eu mal toquei na visão de mundo deles nos meus textos e vídeos até hoje, tirando em alguns lugares pontuais. Talvez, por conta disso, tenham ficado tão revoltados. São pessoas insignificantes, com visões de mundo insignificantes, e nas quais não penso a respeito normalmente. Mas, por alguma razão, essas pessoas me encontraram e acharam que eu devia algo a elas, o que é hilariante. Depois de muitos meses sendo xingado a troco de nada, no ensaio Misantropia e Compaixão, então, eu resolvi mostrar o que acho sobre eles de forma um pouco mais direta, aproveitando que a palavra "misantropia" está em evidência.

O ensaio, claro, não é sobre redpills e incels. Jamais perderia tempo escrevendo algo minimamente mais elaborado sobre eles, porque, de novo, são pessoas insignificantes com ideias insignificantes. O ensaio, na verdade, é sobre como a misantropia schopenhaueriana coexiste com a ética da compaixão. Naquele texto, eu faço uma distinção entre esse tipo de misantropo, que tem compaixão apesar do cansaço e vontade de dar as costas à humanidade, com o "misantropo" incel, redpill e outras porcarias do tipo que têm me assediado nos últimos meses, misantropos de redes sociais e fóruns obscuros da internet, que passam o dia se masturbando e admirando bandeiras de países fascistas fictícios.

Obviamente, tanto esses incels e redpills, quanto gente que não está muito longe deles, não gostaram do ensaio Misantropia e Compaixão. Sinto muito. Foda-se, aliás. A graça, a razão da minha risada na postagem que fiz no Instagram ao divulgar o ensaio Misantropia e Compaixão pela segunda vez vem justamente de ver gente supostamente tão durona, supostamente tão "estoica", se doendo tanto por conta de um cara como eu, que não é ninguém. Mostra que essas pessoas nunca leram uma mísera linha de Epiteto. Nem sabem quem é. Se muito, ouviram falar superficialmente de Marco Aurélio e Sêneca, e assim acreditam ter um conhecimento profundo do assunto. No Spotify, um desses "estoicos empresariais" veio me "ensinar" que estoicos não eram deterministas, muito embora eles próprios se definam como deterministas desde o começo da escola estoica, começo esse que é praticamente ignorado pelos estoicos empresariais. De novo, é um pessoal que não lê nada. Eles não entendem minimamente nem das visões de mundo que dizem seguir.

São pessoas que já comentaram em meus vídeos dizendo que sou fraco e que eles são fortes, pois, citando: "o que fazemos em vida ecoa pela eternidade". Essa frase foi dita pelo personagem de Russell Crowe no filme Gladiador. Não tem como não rir desse pessoal, entende? É uma gentalha patética. Seria bonitinho se não espalhassem tanto ódio, mas como espalham, eu os chamo de gentalha patética mesmo. Chamo e continuarei chamando de virjões. São virjões mesmo aqueles entre eles que não são virgens. Seu cérebro é virgem. Talvez a única significância que possam ter é a do bobo da corte. Só assim. Mas acho que estou ofendendo os bobos da corte. Peço perdão. Eu assisti Gladiador no cinema quando saiu em 2000. É maravilhoso. Último filme realmente bom do Ridley Scott. Mas é só um filme. E os guerreiros de teclado redpill que têm vindo encher meu saco escrevem falas desse filme para mim achando uma coisa fantástica, achando ser verdadeiros "alfa" ou qualquer merda de gíria que essa gente usa.

Veio um deles no Instagram — ou alguém que, mesmo não sendo um deles, não achou de bom tom eu fazer graça com a cara deles — me questionar de forma bastante incisiva. Disse que não estou sendo sério, enquanto que "antes" eu era sério. Bloqueei o sujeito. "Perdi um fã", basicamente. Mas entendam uma coisa: eu escrevo o que escrevo para botar para fora os meus pensamentos. É muito legal que pessoas se identifiquem. É gratificante. Especialmente quando se trata do tema do pessimismo, do considerar o mundo um vale de lágrimas e que teria sido melhor se nada tivesse existido, já que sei que poucas pessoas pensam dessa forma e é muito comum se sentir só pensando assim. Mas eu nunca, jamais vou escrever meus textos apenas para tentar agradar, muito menos para tentar agradar um grupo de pessoas com o qual não tenho nenhuma identificação ou boa vontade, devido ao ódio e a discórdia que tanto espalham. Não vai acontecer.

Se o mundo inteiro demandasse de mim reverência a um bando de pessoas que tem miojo no lugar do cérebro, caso contrário nunca mais ninguém leria um texto meu, eu ficaria sem leitor algum. Seria uma escolha fácil. Não quero ser lido por gente que tem aversão à cultura e cuja motivação é a falta de compaixão.


por Fernando Olszewski